Homens Libertem-se/Men Get
Free é uma campanha artística e social proposta em parceria entre o coletivo
mo[vi]mento-MG/RJ e o histórico e polêmico grupo The Living Theatre, de Nova
Iorque, que vem crescendo consideravelmente com o auxílio de inúmeros voluntários
e conta com parcerias como o músico Paulinho Moska, os cartunistas Laerte e
Miguel Paiva, os atores Lucio Mauro Filho, Marcos Breda, Larissa Bracher,
Flávia Monteiro, Igor Rickli, Aline Wirley, Álamo Facó, Nico Puig, Marcos
Damigo, o escritor e produtor Nelson Motta, a escritora Elisa Lucinda, a
escritora e apresentadora Marcia Tiburi, a escritora e historiadora Mary Del
Priore, o deputado Marcelo Freixo , entre inúmeros outros grupos, artistas e
profissionais de várias partes do país. O projeto pretende ser um chamado à
reflexão em torno das muitas formas pelas quais o machismo prejudica também os
homens, independente de sua sexualidade, devido às dimensões da construção
social do homem na contemporaneidade, que os incita a se encaixarem num modelo
de homem fixo e restritivo. Estas restrições geram uma opressão pouco discutida
por ser mais velada, aceita e naturalizada, mesmo após as inúmeras reflexões do
último século em torno dos direitos humanos – Portal Homens Libertem-se.
Manifesto Homens Libertem-se
- Quero o
fim da obrigatoriedade ao Serviço Militar.
- Posso
broxar. O tamanho do meu pau também não importa.
- Posso
falir. Quero ser amado por quem eu sou e não pelo que eu tenho.
- Posso ser
frágil, sentir medo, pedir socorro, chorar e gritar quando a situação for
difícil.
- Posso me
cuidar, fazer o que eu quiser com a minha aparência e minha postura, cuidar da
minha saúde, do meu bem estar e fazer exame de próstata.
- Posso ser
sensível e expressar minha sensibilidade como quiser.
- Posso ser
cabeleireiro, decorador, artista, ator, bailarino; posso me maravilhar diante
da beleza de uma flor ou do voo dos pássaros.
- Posso
recusar me embebedar e me drogar.
- Posso
recusar brigar, ser violento, fazer parte de gangues ou de qualquer grupo
segregador.
- Posso não
gostar de futebol ou de qualquer outro esporte.
- Posso
manifestar carinho e dizer que amo meu amigo. Quero viver em uma sociedade em
que homens se amem sem que isso seja um tabu.
- Posso ser
levado a sério sem ter que usar uma gravata; posso usar saia se eu me sentir
mais confortável.
- Posso
trocar fraldas, dar a mamadeira e ficar em casa cuidando das crianças.
- Posso
deixar meu filho se vestir e se expressar ludicamente como quiser e farei tudo
para incentivá-lo a demonstrar seus sentimentos, permitindo que ele chore
quando sentir vontade.
- Posso
tratar minha filha com o mesmo grau de respeito, liberdade e incentivo com que
apoio meu filho.
- Posso
admirar uma mulher que eu ache bela com respeito, sem gritaria na rua e me
aproximar dela com gentileza, sem forçá-la a nada.
- Eu sei
que uma mulher está de saia – ou qualquer outra roupa – porque ela quer e não
porque está me convidando para nada.
- Eu sei
que uma mulher que transa com quem quiser ou transa no primeiro encontro não é
uma vadia, bem como o homem que o faz não é um garanhão; são só pessoas que
sentiram desejo.
- Eu nunca
comi uma mulher; todas as vezes nós nos comemos.
- Eu não
tenho medo de que tanto homens como mulheres tenham poder e ajo de modo que
nenhum poder anule o outro.
- Eu sei
que o feminismo é uma luta pela igualdade entre todos os indivíduos.
- Eu nunca
vou bater numa mulher, não aceito que nenhuma mulher me bata e me posiciono
para que nenhum homem ou mulher ache que tem o direito de fazer isso.
- Eu vou me
libertar, não para oprimir mais as mulheres, mas para que todos possamos ser
livres juntos.
- Eu fui
ensinado pela sociedade a ser machista e preciso de ajuda para enxergar caso eu
esteja oprimindo alguém com as minhas atitudes.
- Eu não
quero mais ouvir a frase “seja homem!”, como se houvesse um modelo fechado de
homem a ser seguido. Não sou um rótulo qualquer.
- Quero
poder ser eu mesmo, masculino, feminino, louco, são, frágil, forte, tudo e nada
disso. E me amarem e aceitarem, não por quem acham que eu deva ser, mas por
quem eu sou. E por tudo isso, não sou mais ou menos homem.
- Quero ser
mais que um homem, quero ser humano!
- O
machismo também me oprime e quero ser um homem livre!
Nota do autor (Kayc Pereira):
Pode-se concluir através da
campanha Homens Libertem-se, que há instituições de todos os tipos, espalhadas
por todas as sociedades contemporâneas, que mantêm, reformam, constroem e
impõem valores, normas, regras às pessoas, independente de gênero sexual, questões
sociais ou étnicas. Tem dito que o homem é opressor, e é difícil contestar essa
ideia, mas ela encobre o fato de ele também ser oprimido, seja qual for sua
orientação sexual. O fato de ser homem não tira o caráter de seu corpo estar
sujeito a subjugado, rotulado e agredido.
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